Velejadora trocou pôster do Pelé por peixe
<b>Entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira</b> <P> Ao voltar ao Brasil, após 10 anos, Heloísa Schurmann conta que a família já pensava em sair para novas viagens. Lendo as histórias de famosos navegadores, como Fernão de Magalhães, que provou que a Terra era redonda, veio a inspiração do casal. <p> "Começamos tudo de novo, mas de uma forma profissional". Até um filme, programado para entrar nas telas em 2007, foi todo produzido pelo filho, David, na segunda viagem.<p> Em 1997, a tripulação ficou maior, com a chegada de Kat, uma menina adotada pela família Schurmann. A garota neozelandesa era filha de um casal que se tornou amigo durante a viagem.<p> Mas os pais da garota, ele neozelandês e a mãe, brasileira, tinham o vírus HIV. Na época, a doença ainda deixava muita gente assustada. Os pais da menina faleceram, e, Kat ficou com a família Schurmann até os 13 anos, em maio de 2006, quando também faleceu, vítima de pneumonia. "Ela tinha uma lesão no pulmão. Teve pouco tempo de vida, mas curtiu muito. Ter objetivos na vida a manteve muito viva. Ela chegou até a mergulhar em Fernando de Noronha".<p> As histórias da família Schurmann no mar são muitas. Até o futebol apareceu. Numa das paradas, as pessoas ficaram apaixonadas pela família brasileira. A bola no barco fazia companhia, pois todos se aproximavam para jogar com os brasileiros.<p> "Ser brasileiro é uma moeda forte. Troquei pôster do Pelé por peixe", explica Heloísa. "Até eu batia um bolão. Tínhamos um time no barco", brinca.<p> Os vários idiomas aprendidos e outros dialetos facilitaram a comunicação e os encheram de cultura. Na viagem, carne de cachorro foi um dos piores alimentos comidos. "Eu não posso nem lembrar. Fiquei com aquilo engasgado na garganta".<p> Mas nem tudo era festa. Dois dias sem dar notícias, na segunda viagem, deixaram as pessoas preocupadas. "Perdemos o contato, estávamos num buraco negro, no Pacífico".