"Dunga não é técnico", diz Emerson Leão
<b>Entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira</b> <P> Desde que chegou ao Corinthians, Emerson Leão demonstrou preocupação especial com a estrutura existente para o futebol profissional. De acordo com ele, um novo e equipado centro de treinamento pode virar realidade em pouco tempo. <P>"Já tive uma reunião com arquitetos que vão procurar a maior quantidade de dados para fazer um centro de treinamentos. Fui treinador de equipes com excelentes centros de treinamentos. Eles estão fazendo visitas tanto no Brasil quanto fora. Um centro de treinamentos hoje não é o gigantismo", explica Leão. <P>No Palmeiras, Leão ficou um ano, mas o trabalho foi visto. "Eu fiquei quase um ano no Palmeiras e me sujeitei para que o clube tivesse uma melhora. Uma vez, o Zé Mário assumiu o Inter e me agradeceu por ter deixado uma sala do treinador maravilhosa." <P>O ex-goleiro costuma, por onde passa, olhar as categorias menores. Porém, a situação do Corinthians exige outras prioridades. "Primeiro, preciso solucionar o problema imediato. Não tive tempo de entrar nessas categorias. É um ciúme danado. Apenas procuro ajudar, não interfiro no trabalho de ninguém", conta. <P>Um assunto que visivelmente chateia Leão é falar sobre Seleção Brasileira. A recente escolha de Dunga para substituir Carlos Alberto Parreira no comando da equipe nacional foi reprovado por ele. <P>"Não acho nada porque ele não é tecnico. Sei que ele tem um excelente relacionamento com a turma da CBF. Pelo menos, veio do meio do futebol. Isso é muito bom", afirma. <P>Para Leão, dirigir a Seleção é algo que requer experiência. "Demora, no mínimo, dez anos. Teria que passar por divisão de base e outros caminhos. Cair na mão beijada por ação entre amigos é outra coisa." <P>Leão não torce contra a Seleção Brasileira, e sim contra a administração da entidade maior do futebol brasileiro. "Torço para fechar para balanço e abrir com nova administração", diz. <P>Segundo o treinador do Corinthians, a hora é de colocar pessoas que um dia estiveram no futebol, como ex-jogadores. "Está na hora de colocar gente do ramo para trabalhar. As pessoas que estão milionárias podem ficar em casa." <P>No Corinthians, um grupo de torcedores costuma aparecer no clube como se fossem dirigentes. Leão, no entanto, descarta qualquer possibilidade de dar a espaço a eles. "Nem penso nisso. Chance zero", finaliza.