"Ex-craques não querem homenagens", diz Neves
<b>Entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira</b> <P> Se todos lembram com carinho das conquistas da Seleção Brasileira, nem todos têm conhecimento da necessidade que alguns campeões do mundo passam. Por isso, o empresário Marcelo Neves, filho do ex-goleiro Gilmar dos Santos Neves, bicampeão do mundo em 1958 e 1962, resolveu montar uma associação em prol daqueles que um dia foram considerados heróis. <P>Marcelo conta que a idéia surgiu depois de ver o pai, que anda de cadeira de rodas, após um derrame sofrido há seis anos. "Graças a Deus, ele tem um belo plano de saúde, mas não são todos que podem ter." <P>Surgiram, então, algumas idéias iniciais, como uma exposição com uniformes, chuteiras, sacolas e outros objetos usados pelo pai, quando servia a Seleção. "Pensava em fazer uma exposição, não em leiloar nada, pois acho que é história", diz. <P>Antes da Copa do Mundo deste ano, Marcelo foi chamado por membros da prefeitura de São Paulo para organizar uma exposição ou um museu no Pacaembu. "Eu disse para me desculpar, mas que de homenagens eles já estavam cansados." <P>Assim, a exposição feita pelo empresário foi realizada na sede do Banco Real, na Avenida Paulista. Marcelo Neves conta que conseguiu reunir peças das Copas de 1930 a 2002. "Conseguimos unir foto, filme e a camisa do meu pai. Arrumamos também 140 camisas de todos os países." <P>Lá estava lançada a associação dos campeões mundiais. Porém, o objetivo do empresário ainda não estava sendo alcançado, pois não podia cobrar ingressos. Assim, Marcelo Neves imaginou fazer em bolas pinturas feitas por artistas, jornalistas, ex-jogadores. "Tive uma grata surpresa. Das 80 bolas que eu mandei, voltaram 70. Mandei bola para Giorgio Armani e ela veio." <P>Elas foram leiloadas durante um coquetel, em São Paulo, onde estavam reunidos muitos campeões do mundo. Entre os que não estavam, Pelé e Tostão. Os dois não foram perdoados por Carlos Alberto Torres, capitão do tri: "Eu não os perdôo por não estarem aqui". <P>Marcelo Neves, por outro lado, estava orgulhoso em ter reunido, pela primeira vez, campeões de 1958 a 1994. Entre os ex-jogadores, estava presente Marinho Peres, zagueiro da Seleção de 1974. Apesar de não ter sido campeão, Marinho fez questão de prestigiar o evento. <P>Um dos maiores objetivos de Marcelo Neves já foi conquistado: plano de saúde, doado pela CBF, via associação, para os ex-atletas. Pessoas como Raí e Gilmar Rinaldi abrem mão de tudo que for arrecadado para doar àqueles que precisam. <P>Muitos, que fizeram história, foram esquecidos. "A Nike usava uma imagem do meu pai ao lado do Ronaldo. Enquanto o Ronaldo ganha um milhão, meu pai não ganha nada. O Ricardo Texeira, presidente da CBF, me chamou para ir ao Rio de Janeiro. Ele conseguiu plano de saúde e um escritório de advocacia internacional."